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Oceanos “barulhentos” afetam os animais marinhos

A poluição sonora das grandes cidades é, há muito tempo, tema de diversas discussões a respeito dos seus efeitos prejudiciais à saúde humana. Mais recentemente, a ONU (Organização Nações Unidas) relatou a sua preocupação quanto ao aumento da poluição sonora também no mar. Ao que tudo indica, esta poluição está afetando e pondo em risco a sobrevivência das espécies marinhas.

  O aumento da cacofonia marinha originada pelo homem representa um problema, sobretudo, para os mamíferos, que usam sons para se comunicar. Os mamíferos marinhos como as baleias e os golfinhos dependem em grande parte do som para a comunicação, reprodução e percepção do meio. O som é, afinal, indispensável à sobrevivências das baleias. Julga-se que, enquanto os complexos sons da baleia-jubarte (e algumas azuis) sejam maioritariamente usados na fase da seleção sexual, os sons mais simples de outros animais da mesma espécie são utilizados durante todo o ano. Por outro lado, ao contrário de outros, como os tubarões, julga-se que o olfato não é muito desenvolvido nas baleias. Assim, perante a fraca visibilidade dos meios aquáticos e tendo em conta que o som se propaga melhor em ambiente aquático, sons audíveis podem ter especial importância na sua "navegação".

Apesar das medidas de proteção já adotadas em alguns locais, o barulho no fundo do mar continua aumentando e, de acordo com um estudo do Fundo Internacional do Bem-Estar Animal,vem duplicando a cada década que passa.

 

 

  A ONU, através de seu Programa para o meio Ambiente (Pnuma), pede aos Governos e às indústrias a que adotem motores mais silenciosos e alarmes menos danosos nos navios e medidas mais restritivas ao uso de testes sísmicos para prospecção de petróleo e gás. Os sonares navais, por exemplo, estão relacionados com enormes mortandades de alguns cetáceos.

  A ONU denuncia ainda que as mudanças na composição química marinha contribuem para o aumento da poluição sonora do oceano, já que o aumento dos níveis de acidez de água do mar fazem com que esta absorva 10% menos sons de baixa freqüência.

  A menos que as emissões de gases do efeito estufa se reduzam, os níveis de acidez marinha poderiam chegar, em 2050, a um ponto em que o barulho dos navios chegue a distâncias 70% maiores.

  Para complicar ainda mais, a legislação existente é praticamente nula sobre os níveis de ruído no mar. Até porque o Fundo Internacional do Bem-Estar Animal alega um obstáculo legal de difícil resolução: a grande parcela de ruído produzido ocorre em alto mar, onde fica difícil a fiscalização e se trata de águas internacionais.

 

 

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