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Henrietta Lacks, a mulher imortal

Você já parou para pensar como se faz pesquisa? Por exemplo, se queremos saber o que acontece nas nossas células quando um vírus a infecta, quando não temos um determinado gene ou quando entramos em contato com determinado remédio.

O primeiro passo é ter as células para testar, certo? Pois bem...mas que células? A do nosso corpo ou do corpo de algum animal? Nenhum dos dois! Pelo menos não no início das pesquisas!

Para se testar de maneira segura esses tipos de interferentes à vida normal da célula, cultivamos determinados tipos celulares em placas de cultura, que fornecem todos os nutrientes e ambiente necessário para o seu desenvolvimento.

Porém, há um grande problema no cultivo de alguns tipos de células. Por exemplo, uma célula normal da pele tem um curto tempo de vida e não se multiplica in vitro (nome dado a testes fora do corpo, em laboratório). Por este motivo, os testes teriam que dar resultados muito rápidos para serem vistos, antes que a cultura de células morresse.

 

 

Este problema foi solucionado a partir da história de Henrietta Lacks.

Henrietta Lacks nasceu em 1920 e morreu de câncer do colo uterino em 1951. Solteira, Henrietta Pleasant foi a doadora involuntária de uma cultura de células cancerosas, mais conhecidas como HeLa, muito utilizada em pesquisas médicas.

As células HeLa foram cultivadas quando a senhora Lacks recebia tratamento para um câncer do colo uterino no Johns Hopkins Hospital. Seu câncer produzia metástases anormalmente rápidas (se reproduzia, fazia mitoses), mais que qualquer outro tipo de câncer conhecido pelos médicos.

Após o óbito de Henriette Lacks, suas células continuaram sendo cultivadas para estudo de sua impressionante longevidade, sendo distribuídas por vários laboratórios em todo o mundo. Jonas Salk as utilizou para produzir uma vacina contra a poliomielite.

Foram enviadas ao espaço para experiências sob gravidade zero. Neste meio século desde sua morte, suas células foram continuamente usadas em experimentos e pesquisas contra o câncer, AIDS, efeitos da radiação, mapeamento genético e muito mais.

 

Calcula-se que a quantidade de células existentes nos laboratórios de todo o mundo supere o número de células da senhora Lacks em vida.

As células HeLa são chamadas de imortais por se dividirem num número ilimitado de vezes, desde que mantidas em condições ideais de laboratório. Atribui-se isso ao fato dessas células terem uma versão ativa da enzima Telomerase, implicada no processo de morte das células e no número de vezes que uma célula pode se dividir. Talvez algumas linhagens tenham sido contaminadas por outras células, mas todas provém da amostra retirada do tumor da senhora Lacks.

Elas são cultivadas até hoje em laboratórios ao redor do mundo, em frascos de plástico, em um meio contendo soro bovino. Milhares de trabalhos científicos foram realizados com essas células.

 

 

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